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Grupo de Teatro MEIO

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PERFIL DO GRUPO

O Grupo de Teatro Meio se formou em 2004, e desde então trabalha pautado pela preocupação em fazer um teatro acessível, para quem está acostumado e para quem não está acostumado a freqüentá-lo. Para isso, evita intelectualismos em excesso, soluções cênicas difíceis e a utilização de referências em suas montagens que exijam conhecimento prévio para serem apreendidas. Desde o início tem claro que isto não significa falta de refinamento estético ou superficialidade. Sua opção é pelo simples, não pelo simplório. A expressão “meio” que dá nome ao grupo vem justamente da proposta de trabalhar entre estes dois pólos não excludentes: o do teatro popular e o do teatro político. Apresentações regulares de suas montagens para platéias inabituais de teatro como as formadas por moradores de rua de albergues e moradores da periferia extrema da cidade atestam que este objetivo vem sendo alcançado, considerando a empatia que vem estabelecendo com estes públicos.

Em sua primeira montagem tematizou os próprios excluídos com a adaptação de Ralé, de Máximo Górki, em versão intitulada Ralé Ainda Pulsa, que cumpriu temporada no Teatro Sérgio Cardoso no início de 2005. Considerando ainda grande a distância entre o espetáculo e o espectador médio, partiu para a proposta radical de uma experiência sensorial com o mesmo espetáculo. Dispostos a inserir o público efetivamente na atmosfera de vida de um cortiço, transformou, não sem grande esforço de produção, as ruínas do Castelinho da Rua Apa, nos Campos Elíseos, em um cortiço típico da capital paulistana. Ao assistir o espetáculo, o espectador precisava atravessar este cortiço com a vida pulsando dentro dele, com cheiros, sons e imagens diversas. Além de presenciar a miséria real dos moradores de rua que se aglomeram em torno do próprio Castelinho, embaixo do Minhocão. Esta montagem obteve um grande sucesso de público conquistado especialmente pelo boca-a-boca e permaneceu em cartaz por alguns meses em 2006.

O objetivo seguinte foi direcionar a pesquisa para uma comunicação direta e aberta com o público para a linguagem. Procurávamos uma forma de fácil empatia não obstante viesse munida com uma dose palpável de conteúdo crítico. Desembocamos assim na comédia. O texto escolhido para essa segunda montagem foi Assim é, se lhe parece, de Luigi Pirandello, universal e profundo em sua temática sobre a relatividade da verdade, e que por ser constituído quase como uma brincadeira, permitia experimentações diversas. A adaptação encenada chamou-se Assim Parece e cumpriu temporada no Teatro dos Satyros em 2007. As maiores aquisições desta montagem foram a incorporação da figura épica do narrador em completa sintonia e cumplicidade com o público e o sistema de rodízio dos atores na interpretação das diversas personagens da peça, numa leitura particular do conhecido “sistema coringa” criado no Teatro de Arena de São Paulo nos anos 60. 

A pesquisa no terreno da comédia estimulou o grupo que passou a procurar um texto que se aproximasse especificamente da realidade brasileira. Foi encontrar a base para uma nova adaptação em uma peça escrita em 1861 por Joaquim Manuel de Macedo, A Torre em Concurso. Atuando em duas frentes críticas ainda muito atuais – a falta de ética e coerência de nossa classe política, e a falta de auto-respeito nacional diante do que é estrangeiro – mais a possibilidade de ataque a uma terceira frente, a mania nacional de assistir novelas, o texto nos pareceu a base ideal para a continuação da nossa pesquisa. O aprofundamento de outras experiências caras ao grupo como a utilização da figura do narrador e o sistema de rodízio entre atores também foi possível com esta nova encenação. A adaptação se chamou O Gênio em Concurso e esteve em cartaz por seis meses, entre 2009 e 2010 no intimista Teatro Lá em Casa, na Barra Funda, São Paulo. 

Certo ou errado, uma proposta artística muitas vezes ganha força e consistência quando se posiciona contrariamente a outras, numa tomada clara de posição. O Grupo de Teatro Meio respeita a pluralidade, mas esteticamente se posiciona no campo oposto ao do espetáculo excessivamente acadêmico e cerebral, de difícil assimilação devido a cifradas opções estéticas e que acaba por se destinar, basicamente, a quem já faz ou está habituado â linguagem teatral. É o que chamamos de “teatro para iniciados”, que temos como premissa básica evitar.